75 VIAGENS À VOLTA DO SOL
Perguntam-me, com frequência,
porque não escrevo as minhas memórias, uma vez que gosto de me expressar pela
escrita e possuo um manancial de experiências que poderia dar origem a uma
publicação interessante.
A todos os que me colocam essa
questão respondo que ainda tenho muitas experiências para viver, muito para
refletir, muito para aprender e muito para fazer.
Reconheço-me como um fazedor.
Gosto de agir. Gosto de intervir, de participar e de liderar. Gosto de exercer
a missão, mais do que de ocupar o cargo.
Ao fazer uma retrospectiva da
minha viagem ao longo de 75 anos de vida, identifico alguns momentos
determinantes.
Fui militar e cumpri uma comissão
de serviço em Moçambique, durante a guerra colonial.
Fui autarca de freguesia,
dirigente cooperativo e dirigente de uma IPSS.
Fui dirigente voluntário de uma
Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários e da Liga dos Bombeiros
Portugueses, tendo dedicado 35 anos da minha vida, de forma profundamente
empenhada, ao setor dos Bombeiros.
Fui também fundador e dirigente
do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil, do qual sou atualmente
Presidente do Conselho Consultivo e Coordenador Editorial da newsletter CEIPC
– inform@.
Sou ainda membro da Direção do
Instituto de Direito e Segurança e Vice-Presidente da Assembleia Geral do OSCOT
– Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo.
No plano profissional,
encontro-me reformado. Trabalhei em várias empresas, nomeadamente no setor
editorial. Fui Adjunto Técnico do Comissariado para a Transição em Timor-Leste,
dirigente da Escola Nacional de Bombeiros e consultor na área da gestão organizacional.
Há muitos anos que escrevo
artigos publicados em diversos órgãos de comunicação social, dedicando-me,
sobretudo nos últimos anos, à reflexão sobre temas relacionados com a Proteção
Civil e os Bombeiros.
Este é apenas um breve resumo do
meu percurso profissional e cívico.
Por isso, voltando ao princípio,
sim, tenho matéria para escrever as minhas memórias. Mas ainda não chegou esse
tempo. Apesar de completar hoje 75 viagens à volta do Sol, continuo a sentir
que tenho muito para fazer, muitas experiências para viver e muito para
aprender.
Chegado aqui, formulo apenas um
desejo: que o tempo que ainda me for concedido conserve a mesma capacidade de
me surpreender; que os meus dias continuem a trazer desafios, objetivos,
descobertas e realizações.
Para mim, viver nunca foi
consumir os anos. Foi sempre procurar compreender o mundo, o país e a
comunidade, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e
solidária, na dimensão do meu tempo e do meu espaço de intervenção.
É assim que desejo continuar a
viver todos os dias do resto da minha vida.



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